Vivemos num tempo em que a ideia da existência de um mundo globalizado se tornou óbvia e notória. Mas isso não quer dizer que o significado da noção de globalização seja perceptível - considero que é ainda uma noção intuitiva, mas pouco compreendida.
Miuos consideram mesmo que a globalização é um projecto perigoso porque está estritamente ligada a um modelo sócio-económico, um modelo liberal e de economia de mercado. Neste contexto, há quem tenha a percepção de que, de alguma forma, existe sobreposição entre a dinâmica colectiva que aproxima culturas e as torna globalmente conectadas e os projectos político e/ou económicos específicos, baseado na pluralidade, na escolha individual, no mercado, etc.
Será assim? Isto é, existe uma ligação umbilical entre um qualquer programa político e o movimento de globalização? Ou entre a economia de mercado e a aproximação dos povos? Ou a globalização é um processo autónomo, excêntrico a qualquer plano político e civilizacional?
Esta dúvida pressupõe tacitamente a hipótese de que a globalização é um processo espontâneo, independente do conteúdo armazenados pelos humanos e do tipo de relações que estabelecem a partir desses conteúdos. Portanto, a globalização, nesta hipótese, é um movimento bio-social independente de qualquer estado lógico do sistema. Independente de qualquer cultura diferenciada.
Se assim for no debate político é errado fazer a sobreposição entre a globalização e um qualquer projecto social e político específico.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
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