domingo, 8 de março de 2009

Inércia cognitiva - relação pensamento-comportamento

Neste texto vou alargar mais um pouco a visão sobre o papel dos valores em toda a dimensão do ser humano. A estrutura de valores também pode ser vista como uma plataforma que regulariza e articula os nossos diferentes domínios cognitivos: pensamento, comportamento e emoções. Defendo aqui que anda tudo ligado.

Já desenvolvi uma parte da dinâmica que se estabelece entre o raciocínio e os valores. Agora passarei a explicar como é que me parece ser a relação entre essas estruturas governativas com os comportamentos e as emoções. No primeiro caso a dinâmica não difere muito daquela que tenho vindo a explorar. Vamos então começar pela relação entre comportamento e pensamento.

O nosso comportamento também tem a sua regularidade: que nós denominamos por hábitos. Aquilo que acredito é que os hábitos são condicionados pelos nossos valores e vice-versa. Cada estado do nosso sistema cognitivo é o resultado de uma co-evolução entre estes dois domínios: comportamento e pensamento.

Como vimos a dinâmica mental tende a promover distribuições assimétricas na quantidade dos seus conteúdos e, também, diferenças na frequência com que surgem na nossa comunicação. Existe assim uma correlação (não sei se linear ou não) entre valores e conteúdo comunicado. Aqueles que surgem em maior quantidade são os mais valorizados, os mais valorizados aumentam a sua taxa de reprodução. É isso que os faz, aos nossos valores, estruturas estáveis.

A forma como essa valorização influencia os nossos comportamentos, para além do linguístico, também é óbvia: o que é mais valorizado é também mais procurado, e isso é promotor de dinâmicas de estabilização do comportamento dirigido para observação (ou para outro domínio sensorial). Porque valorizamos procuramos, porque procuramos usamos, porque usamos mais reproduz-se mais, se se reproduz mais aumenta a sua distribuição, logo é mais valorizado, e assim por diante. Criando um circuito fechado - um hábito - que se auto-alimenta. Tudo baseado num jogo de assimetrias e correlação entre taxas de reprodução (frequência) e quantidade armazenada (redundância).

Por outro lado, a nossa própria avaliação sobre os nossos próprios comportamentos também é influenciada pelos nosso valores. Se um conjunto de movimentos nos dá, porque assim o entendemos, alguma eficácia comportamental, uma certa vantagem, vamos assinalar mentalmente essa situação, assinalando na memória o comportamento vantajoso. Mas essa eficácia é avaliada em função das nossas valorizações prévias: algo que dá vantagem, no âmbito da melhoria das relações com algo que já valorizamos, recebe mais atenção e mais ponderação, relativamente a algo que nos dá vantagem sobre um assunto que nos é completamente indiferente. E assim se produz mais uma dinâmica de retro-alimentação que regulariza e articula a dinâmica de raciocínio, linguagem, atenção e outros comportamentos.

Criando uma correlação que se estabelece entre todas estes domínios que se pode denominar por por Estado Cognitivo. E cada estado é composto por uma Inércia Cognitiva. Cada ser humano tem o seu nicho, logo cada ser tem o seu estado inercial.

É importante ter em atenção que por agora só estou a explorar o lado construtivo da coisa. Existe uma outra dinâmica que produz destruturação e, se for profunda, pode levar à substituição do estado inercial.

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