Este estado inercial é resiliente. Embora esteja sempre a evoluir, fruto da nossa capacidade de armazenar e escolher, existe uma certa regularidade. Não fora isso não fazia sentido aplicar o termo inercial. Essa é uma das funções das emoções: assinalar a intensidade do conflito e com isso dar a medida da resiliência de cada estado do sistema. Para explicar isto tenho de explicar primeiro como é que vejo o funcionamento das emoções na sua relação com a lógica e o comportamento.
A lógica desse funcionamento funda-se na seguinte correlação: estruturas lógicas mais redundantes induzem respostas emocionais mais intensas. Daí os conflitos que ameaçam a integridade da estrutura dos nossos valores se tornarem rapidamente em discussões bastante inflamadas. Os valores são, por isso, a região mental com capacidade de induzir respostas comportamentais mais fortes, porque geram sentimentos mais intensos.
Usando uma metáfora poder-se-á dizer que a mente está organizada com uma distribuição assimétrica de conteúdos, essa variação é a quantidade de carga energética armazenada, que varia de região para região. Os valores são os domínios com maior carga energética. Os sentimentos são a resposta interna, do corpo, que nos dá a percepção da medida dessa carga. Quando o sentimento é despoletado induz uma certa reacção comportamental, a intensidade é variável conforme a quantidade de carga despoletada. Isso são as emoções. (Mas as emoções - essa "explosão" muscular em intensidade - podem não ser a única fora de reagir, mas isso fica para outras paragens.)
Mas ainda falta explicar algo: como é que funciona esta relação entre a quantidade armazenada (redundância estrutural) e os fluxos lógico-comportamentais (redundância funcional). Porque para se explicarem a indução dos fluxos não se pode concentrar toda a explicação na quantidade. No domínio cognitivo os fluxos surgem do resultado de muita sintonização. E aqui a ideia de composição é fundamental.
Falar em sintonização é descrever um estado em que existe uma quantidade suficiente de sobreposição das composições dos conteúdos. Podemos denominar por grau de ajustamento. O emissor e o receptor têm de conseguir comunicar, isto é, o emissor só despoleta uma reacção no receptor se existir uma quantidade suficiente de elementos partilhados na composição do estímulo comunicado. É assim que se forma um fluxo. E uma trajectória de fluxo - um raciocínio ou um comportamento - porque são mais complexos exigem que se forme uma cadeia de "complexos emissor-receptor" sintonizados.
Assim, os valores constituem-se num sistema interligado, cooperante, que se retro-alimenta. E que influenciam e regularizam a lógica, o comportamento e os sentimentos. Quando implementada essa região fluída procurará manter a sua integridade e as suas elevadas taxas de reprodução. É desta forma que se pode falar em inércia, ela não é real, é uma idealização. A regularidade é uma questão de probabilidade: de se manterem por um determinado período reacções altamente influenciadas por um mesmo conjunto de conteúds mentais.Os valores são uma região que evoluiu para se tornar a mais fluida: mais sobreposições na composição dos complexos emissor-receptor e mais quantidade de complexos desse tipo.
Em conclusão: a resposta emocional é uma reacção simples, em intensidade, de um estado inercializado. E varia na sua intensidade em função da conjugação da quantidade e da fluidez da região estimulada. Desta forma os sentimentos são o pulsar do estado do sistema: a partir da visão interna, vivida, servem para sinalizar, da versão externa, analisada, pode ser encarada como a medida da resiliência desse estado.
terça-feira, 10 de março de 2009
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