No post anterior concluí que cada indivíduo tem o seu sistema de valores próprio. Não existem dois iguais. E, como é a partir desse sistema que se gera a lógica, cada indivíduo tem a sua própria lógica. Ora, esta afirmação tem consequências drásticas sobre a forma como podemos ou devemos olhar para nós próprios como ser humanos. Para tal convêm explorar um pouco mais o seu significado.
Parece-me óbvio que qualquer estrutura de valores é finita - ou seja, cada sistema de valores individuais é composto por um número finito de conteúdos mentais. Como todos os novos conteúdos mentais são gerados a partir de raciocínios feitos a partir de conteúdos já previamente armazenados na mente, as possibilidades lógicas abertas, por cada acto de criatividade, são limitadas. As combinações possíveis que se podem fazer a partir de um número limitado de conteúdos são sempre tambem elas limitadas. Logo a amplitude cogntiva de cada indivíduo é ela própria limitada. Cada um de nós vive num dado espectro e a consequência desta dinâmica é a existência de nichos cognitivos diferenciados. Cada ser humano vive no seu.
Como o resultado de cada raciocinio lógico depende de um composição previamente estabelecida, e como essa composição é diferente para todos, a interacção entre indivíduos é sempre parcialmente problemática. Como vivemos numa sociedade onde a diferenciação profissional e pessoal é um valor muita acarinhado, as trajectórias pessoais são cada vez mais divergentes, as estruturas de valores cada vez mais diversas e portanto, o esperado, é que as dificuldades de comunicação sejam cada vez maiores.
Talvez!...
A não ser que nos preparemos para isso e saibamos retirar partido dessa situação, relacionando-nos com uma nova capacidade para lidar com o "estranho" ou com aquilo que não nos faz sentido. Para colmatar os problemas associados à comunicação e entendimento postos pela valorização da diferenciação das trajectórias individuais é necessário uma ética que não se oponha à própria natureza da defesa da auto-determinação. É necessário uma ética equilibre as possibilidades individuais com as necessidades do colectivo. Uma ética informativa e pluralista.
sexta-feira, 6 de março de 2009
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