Um dos aspectos usualmente realçados e que distingue as dinâmicas dos sistemas vivos dos restantes sistemas físicos é o facto das primeiras serem organizadas também por informação, quandos as outras se organizam apenas por princípios físicos simples.
É evidente que os sistemas vivos também dependem das processo físicos e da sua interacção com os processos mais complexos da infodinâmica. Mas existe um aspecto crucial que as distingue informação da energia e que torna diferentes os princípios que regem a dinâmica do vivo. A diferença encontra-se ao nível da produção de fluxos. Enquanto a energia passa de qualquer corpo para outro corpo (Para compreender melhor esta dinâmica ler sobre as leis da termodinâmica), com a informação essa ubiquidade não se verifica. A informação é contexto-dependente. As relações entre vivos, no âmbito da transferência de informação, é eficaz quando se atinge um certo grau de sintonizaçao entre emissor e receptor. Isto é verdade para o diálogo entre neurónios, entre animais e entre pessoas.
Interessa, portanto, compreender as razões para essa propriedade. A explicação depende da compreensão de certos aspectos acerca da informação. Podemos começar por afirmar que é uma propriedade da matéria mais complexa que a energia. A informação é matéria organizada. Para ser organizada significa, em primeiro lugar, que o movimento de um conjunto de matéria simples se inercializou, em seguida, é necessário que dessa conjugação se forme uma superfície com uma conformação específica funcional. É esse o sentido da organização. Essa superfície permite a esses conjuntos de matéria estabelecer contacto com outros conjuntos de matéria.
Por exemplo, na sua base material a informação funciona pela sistema de chave-fechadura, tal como sugere o modelo de dinâmica enzimática de Jacob e Monod (ver livros de biologia ou bioquímica nos capítulos de dinâmica enzimática). As enzimas, os agentes do sistema imunitário, ou neurotransmissores, são moléculas que, no seu meio "natural", assumem uma configuração específica numa das suas superfícies. Essa superfície confere-lhes a capacidade de encaixar noutras configurações, o seu molde.
Essa existência é em si mesmo o resultado de um processo de sintonização. Este molde surge por co-evolução nos sistemas vivos. Quando pensamos na comunicação humana pensamos em algo especial, devido à sua base simbólica. Assumimos com orgulho que esse foi um passo à frente na complexidade. Mas o processo é semelhante à de base enzimática, mas em tudo mais complexo. Também aqui cada símbolo tem uma configuração específica que é compreendida pelo emissor e pelo receptor. Quando um emissor produz um estímulo-símbolo, o receptor (caso tenha co-evoluido dentro da mesmo meio (cultural) do emissor estará, com uma enorme probabilidade, organizado mentalmente de forma equivalente) assinala esse estímulo, estímula o seu sistema nervoso e inicia um processo de comunicação interna que acabará por dar densidade e sentido a esse estímulo. Ou seja, o estímulo provoca um Trabalho Algorítmico Configuracional (TAC). Também aqui existe uma estrutura com uma composição específica, que resulta nessa especificidade pela interacção com o meio específico, que permite uma co-estimulação entre o emissor (chave) e o receptor (fechadura). No que podemos denominar por Complexo de Emissão-Recepção (CER).
Tudo isto é resultado de um processo de expressão e correcção múltipla e sucessiva no âmbito social e natural. Em função das inúmeras correcções efectuadas através da comunicação, entre membros de um espaço de relações preferenciais, surge a linguagem comum, os valores comuns, a simbolização comum. Existe qualquer coisa de espantoso na criação do símbolo, na sua utilização, mas o seu desligamento ao mundo dos processo naturais tem sido exagerado. A relação entre a simbolização e a sua base material é muito mais estreita do que parece. (Uma pista para reflectir sobre este assunto: pense na comunicação como uma articulação entre o pensamento e os músculos da cara, língua, dos braços que permitem expôr sons e gestos com uma forma (composição e sucessão) específica. Mas isso fica para outras paragens.
Esta é a razão da necessidade de sintonização: porque a informação não se transfere de forma úbiqua como a energia, na qual basta o contacto entre quaisquer dois corpos. A informação é criada quando se torna possível reproduzir a configuração e com isso transferir em fluxos a acção da própria inercialidade configuracional.
terça-feira, 17 de março de 2009
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