sábado, 14 de março de 2009

Valores e power-law

Novos estudos sobre o mundo vivo trouxeram novidades ao nível da caracterização das relações que se estabelecem internamente, sabe-se hoje que existem algumas características regulares. Essas dinâmicas foram denominadas por "Power-Laws". Basicamente estas leis sugerem que a existência do mundo vivo se deve à criação de dinâmicas produtoras de assimetria. Foram associadas ao termo poder porque é disso que se trata: existe vida porque existe poder e este está distribuido de forma profundamente assimétrica.

De alguma forma o sistema produz "trabalho" (no sentido termodinâmico) porque é criado um potencial interno, é essa diferença que induz a produção e a manutenção dos fluxos internos. Os fluxos que, quando regularizados, criam os ciclos dos sistemas biológicos - ou seja, a vida.

Para compreender a lógica que está por trás destas "leis do poder" vejamos o seguinte video:



Como é que se relacionam estas ideias com a discussão sobre a dinâmica mental e o papel dos valores? Porque o funcionamento da mente rege-se pelas power-laws. Vimos em posts anteriores que a sua topologia está organizada por diferenças de distribuição dos conteúdos mentais. Sendo que os valores são os mais frequentes: mais redundantes, mais reproduzidos e mais intensos. São portanto os conteúdos lógicos que mais contribuem para o funcionamento dos raciocínios. Por isso, a contribuição também é assimétrica. Tal como determina uma power-law, uma pequena quantidade de conteúdos é responsável por uma grande parte da lógica do sistema: da sua estrutura e dinâmica.

É por esta a razão que se demominou por estado inercial do sistema cognitivo. Mas tal como sugere o autor da palestra, de forma nenhuma se pode afirmar que as marginalidades não são determinantes. Uma pequena contribuição pode ser fundamental para resolver lógica ou comportamentalmente uma qualquer grande questão. E isso numa sociedade complexa está sempre a ser solicitado. A marginalidade é importante como factor de inovação e evolução. Pois, permite romper com o conservadorismo institucionalizado.

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